quinta-feira, 15 de julho de 2010

Antonio Victurino Domingues dos Santos

Estava me preparando para escrever sobre ele.
Nestes dias que passaram, era o que eu mais precisava fazer. Por que não fiz? Coragem, ou melhor a falta de.
Não é fácil escrever sobre um grande homem, inda mais se há laços familiares e afinidades entre o que escreve e aquele sobre o qual se escreve. Não é fácil.
O Sr. Antonio Victurino Domingues dos Santos foi realmente um grande homem, não só porque era alto, um verdadeiro tanque de guerra, nem também porque era meu sogro, coisa que ninguém mais é, mas também por seus atos, dos quais não tenho a pretensão de sabê-los todos, mas sei de alguns e quero então informar ao mundo que é possível ser um promotor de justiça, depois um ex-promotor, depois um advogado militante em sua não muito grande comarca e continuar sendo um homem simples, que gostava de assobiar, de um jeito bem peculiar, que gostava de contar e contava como ninguém as histórias de seu tempo e as histórias de todos os tempos e do mundo todo. Memória impressionante, conhecimento e cultura tão vastos que não lembro de ter visto em ninguém mais. Para mim um exemplo de esforço e luta, dedicação e perseverança. Ao que sei, não veio de família rica, no seio de Jaú, no entanto conseguiu se formar em Direito pelo Largo São Francisco, na Capital. Só não foi juiz porque seu perfil era, à época, de promotor.
Quanto à relatividade das coisas. Há um ano mais ou menos, falava com ele por telefone e, em dado momento, lhe disse: "_ Gostaria de ter uma carreira brilhante como a sua!" ao que me respondeu: _"Mas eu não tive uma carreira brilhante." Não havia falsa modéstia, nem tampouco decepção em sua voz. Na sua mente era simplesmente um fato. Já para mim, diante do que vejo em minha vida neste momento e o que via naquele momento, seguir o gigante em seus passos seria sim ter uma carreira brilhante. Não num órgão público, seja lá qual for. Mas na vida como um todo. Talvez eu tivesse que me exprimir melhor! Sob este ponto de vista, ele seria obrigado a concordar.
Agora, deste grande homem resta-nos a tristeza de que não esteja mais entre nós e a saudade da pessoa maravilhosa que ele foi.

2 comentários:

Anônimo disse...

Como vc é sensível com o uso das palavras, Marcelo! Parabéns!
Conheci seu sogro qdo eu era uma menininha de 7 ou 8 anos e, em minha memória, ele sempre foi um gigante! E tenho certeza do grande homem que foi pelos frutos que deixou. Desejo força para toda a família nesta hora tão dolorida.
Um afetuoso abraço a cada um de vcs, meus amigos queridos.
Ana Elisa

Unknown disse...

Foi um dia de muita tristeza, o coração doeu. Senti-me órfão, como muitas das pessoas que eram do convivío de Dr. Victurino.
Pessoa bondosa, carinhosa, que soube espargir amor, doação....
Ensinou-nos o verdadeiro sentido da palavra "Amar" ensinada pelo grande Mestre Jesus.
Acho que foi a melhor pessoa que conheci aqui em Barretos....
Perdemos nós seu convívio,
mas não seu exemplo, o qual ficará sempre vivo nos nossos corações.
O céu se alegra com o retorne desse grande e querido irmão.