quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Eleições

Conforme se aproximam as eleições, estabelece-se em nosso espírito uma inquietação fundamental: a dúvida cruel, não é simples estilo de linguagem, é realmente cruel a dúvida quanto ao ser que irá dirigir os destinos de milhões de pessoas, dentre as quais eu mesmo.
Se pudéssemos deixar àqueles que escolhem os seus escolhidos, e simplesmente adotarmos os nossos eleitos... Mas a democracia não funciona assim, na verdade a democracia é apenas a ditadura da maioria. Temos que engolir a escolha de uma maioria que mor das vezes não sabe escolher, ou melhor, quero dizer ou pior, escolhe com seu bolso, por bolsas, ou ainda para proteger interesses escusos de um grupelho de pessoas que concentram a riqueza em suas mãos e por isso acreditam piamente que estão cobertos de razão em tentar perpetuar este estado de coisas. Ou seja, perpetuar a riqueza nestas mesmas mãos sempre. Ou os outros ainda, a perpetuar seus pobres benefícios esmolares, sem pensar ou refletir num real crescimento da qualidade de vida da população como um todo.
Aí a maior parte dos meus concidadãos vem e diz: "_ As coisas funcionam assim mesmo. Não há como mudar isso. Todos que sobem ao poder fazem assim. Político é ladrão mesmo. Isso nunca vai mudar..."
Eu não concordo. Enquanto isso for considerado uma verdade, nós nunca teremos alguém que valha a pena no poder, não pelo menos pelas vias habituais. Isto não é e não pode ser considerado verdade. Por outro lado, se for verdade, se for assim mesmo, mais um motivo então para revolucionar tudo o que aí está e partir para o rompimento e a reconstrução de algo totalmente inovador.
Mas o quê? é impossível deixar de perguntar: seja lá o que for esta inovação, a população, o povo, as pessoas estariam maduras para um grande passo? Até quando se deve esperar? Estarão espontaneamente maduras algum dia? É possível conscientizar este povo? Até que preço se deve pagar para uma elevação de consciência do povo?
As respostas a estas dúvidas trazem em si as respostas a tantas outras questões! A luta pela luta, só para não se dizer que somos cordeiros num rebanho de cordeiros, esta luta têm razão de ser? Ou buscamos uma luta que seja simplesmente eficaz, ainda que seu preço seja altíssimo?
Até quando teremos paciência? Até quando permitiremos que a junção de certas cabeças aos seus respectivos corpos proporcionada por seus honrados e intactos pescoços continuem atrasando a vida e o progresso de milhões de pessoas?

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A competência da incompetência

Seguindo a mesma linha da postagem logo abaixo, anterior a esta, estou adicionando alguns links de origem noticiosa sobre a decadência do serviço prestado pelo PSDB e aliados (DEM) no Estado de São Paulo e sua Capital. Deixei de acrescentar links sobre segurança pública pois além da decadência falar por si só, a ela dedicarei capítulo à parte, tamanho é o meu espanto com que este governo desorientado, alucinado e demagógico tem feito com os servidores das instituições policiais. Sobre isso falaremos mais adiante.

Cliquem, leiam, pensem e analisem. Não sabe em quem votar? Saiba primeiro, antes de qualquer coisa, para a sua e a nossa saúde e bem-estar, em quem você não deve votar. Depois veremos qual é a melhor opção dentre os outros. Se não houver nenhuma, quem sabe não seja o momento de passar uma mensagem mais clara de nosso descontentamento com o que aí está?

http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,mudancas-na-tv-cultura-elevam-temperatura-no-twitter,590316,0.htm

http://noticias.r7.com/blogs/daniel-castro/2010/08/04/bomba-tv-cultura-vai-cortar-programas-e-demitir-1-400/

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/750466-17-meses-apos-sua-demissao-da-osesp-john-neschling-estreia-novo-trabalho.shtml

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/consulte+o+ranking+de+escolas+do+enem+2009/n1237722683898.html?gclid=CMCJyKu5oKMCFcpd2godllGpoQ

http://www.estadao.com.br/noticias/geral,reclamacoes-do-transporte-avancam-200-em-sao-paulo,424233,0.htm
 
É bem verdade que não falei de muitos outros temas, como o uso e ocupação do solo, de competência municipal, nem das águas, competência estadual, nem da pobreza, competência da incompetência de todos... ainda mais tendo em vista a arrecadação de impostos conforme você pode conferir no link abaixo:

http://www.impostometro.org.br/

E ainda tem os pedágios....

PSDB, PT e sacos de lixo.

Está difícil de acreditar, mas o PSDB segue imbatível no Estado de São Paulo. Tanto Alckmin quanto Serra mantém alta performance neste nosso Estado reacionário, burocrata e irracional. O fenômeno se prende, decerto, ao fato de que aqui em São Paulo não há tempo para pensar. Tudo é rápido, ligeiro, menos o povo que anda nas ruas, que é de uma lentidão de dar nos nervos... Achamos! O povo está dopado! Com a contraposição dos benefícios popularescos obtidos com o molusco-mor, abrangendo todas as possibilidades de bolsas de todos os tipos, para todos os gostos e para além das necessidades, aliada à dureza intransigente e burra deste governo estadual, que busca beneficiar além de qualquer imaginação a classe dominante, produziu-se um estado de torpor na população. A classe média, que desde 2008 é apontada como maioria no Brasil, está no meio deste embate entre os bem pobrezitos e os mucho ricos por demais. E é ela que está entorpecida. E é ela que deveria falar e fazer alguma coisa, porque é nos anais dela (se é que você me entende) que as coisas estão acontecendo. Os bem pobrezitos também estão entorpecidos, só que deles não se deve esperar grande coisa, na medida em que as benesses advindas do não-trabalho são suficientes para calar a boca a qualquer um. Ganhar sem trabalhar, muitos da “classe média” também topariam. E calar a boca de qualquer patrão quem não gostaria? “_Cê nu mi maaanda!!!” É assim. Não gostou, me manda embora e eu arranco suas calças na Justiça do Trabalho. Eu sou hipossuficiente. O Estado está aí para me proteger. O risco do negócio é seu...

Neste breve panorama nós temos então a definição das duas classes mais poderosas do país: os pobrezitos e os mucho ricos. O PT protege aos dois, em alternância para tentar ficar bem com todos e pouco a pouco vai seguindo a cartilha neo-liberal do Pior Salário Do Brasil. Já o P(ior)S(alário)D(o)B(rasil) protege os muito ricos, sem alternância nenhuma porque para eles pobre não interessa mesmo. Nesta leitura é óbvio que apesar do grande poder dos pobrezitos, eles ainda perdem feio para os mucho ricos, afinal os mucho ricos são agraciados por todos os lados. Isso é eterno.

O problema é que tem uma classe que acha que é rica e que estaria, portanto, coberta pela proteção intransigente do PSDB, e achando que o PT também lhe sorri. É a classe média mais próxima da linha da pobreza do que da riqueza, mas que acha que é rica, ou que está bem próxima de ser. Esta classe se engana a si mesma e leva de roldão, aqui em São Paulo, o PSDB para o poder, sempre, causando a derrocada de toda a população. Não que o PT esteja ou seja melhor. Não está e não é. Simplesmente está um pouco atrasado na questão do neo-liberalismo. O PSDB já está a todo vapor nisso. O PSDB é isso.



Só mais uma coisa. Está para se iniciar uma política feroz contra as sacolinhas nos mercados. Como sempre tem que haver um vilão ou vilã, a bola da vez , ou o saco da vez são as pobres sacolinhas. Vamos lá. Este é o melhor lugar para falar de lixo. Junto com o PSDB e o PT. Coisas da mesma natureza no mesmo lugar.

Se vocês estão lembrados, até um tempo atrás, não muito tempo, o lixo era recolhido in natura. Como assim?! Simples. O caminhão de lixo passava, nós saíamos para a rua, entregávamos uma lata na mão de um dos agentes da limpeza (politicamente correto? tenho certeza que eles preferem lixeiro mesmo. Eu preferiria.), então eles viravam aquela lata no interior do caminhão, lá entornando o conteúdo do recipiente, após o quê devolviam a lata para nós, que a levávamos de volta para casa e a reaproveitávamos para muitas coletas ainda. Logo se vê que não havia a menor necessidade nem de sacos de lixo, nem de sacolinhas de supermercado que fazem as vezes de saco de lixo. A natureza estava salva!!!!Aliás, reaproveitávamos os jornais, já que as latas eram forradas com eles.

O que aconteceu é que este hábito se perdeu, sendo adotados os sacos de lixo. De plástico, pretos ou azuis, alguns poucos cinzas ou brancos. Não retornáveis. Caros. Daí optou-se pelo uso das sacolinhas de supermercado, até hoje utilizadas, e agora ameaçadas de extinção.

A pergunta que remanesce é a seguinte: até quando as coisas serão decididas desta maneira, sem planejamento? Decide-se que as sacolinhas são nocivas. Muito bem. Aplausos. Qual é a solução? Comprar sacos de lixo? De plástico? Será que eu perdi alguma coisa? O raciocínio está lerdo ou o quê? Troca-se sacolinhas de plásticos por sacos de plástico. O problema está solucionado.

Se me disserem que vão fabricar um produto biodegradável que servirá como envoltório para o lixo, então estaremos diante de uma solução pertinente. É caro? Talvez. Vale a pena? Com certeza. De outra forma é aquele famoso trocar seis por meia dúzia. Pensem nisso antes de declarar guerra às sacolinhas de plástico dos supermercados. E pensem nisso antes de votar. Lugar de lixo é no lixo. Por falar em lixo, veja só isso:


quinta-feira, 15 de julho de 2010

Antonio Victurino Domingues dos Santos

Estava me preparando para escrever sobre ele.
Nestes dias que passaram, era o que eu mais precisava fazer. Por que não fiz? Coragem, ou melhor a falta de.
Não é fácil escrever sobre um grande homem, inda mais se há laços familiares e afinidades entre o que escreve e aquele sobre o qual se escreve. Não é fácil.
O Sr. Antonio Victurino Domingues dos Santos foi realmente um grande homem, não só porque era alto, um verdadeiro tanque de guerra, nem também porque era meu sogro, coisa que ninguém mais é, mas também por seus atos, dos quais não tenho a pretensão de sabê-los todos, mas sei de alguns e quero então informar ao mundo que é possível ser um promotor de justiça, depois um ex-promotor, depois um advogado militante em sua não muito grande comarca e continuar sendo um homem simples, que gostava de assobiar, de um jeito bem peculiar, que gostava de contar e contava como ninguém as histórias de seu tempo e as histórias de todos os tempos e do mundo todo. Memória impressionante, conhecimento e cultura tão vastos que não lembro de ter visto em ninguém mais. Para mim um exemplo de esforço e luta, dedicação e perseverança. Ao que sei, não veio de família rica, no seio de Jaú, no entanto conseguiu se formar em Direito pelo Largo São Francisco, na Capital. Só não foi juiz porque seu perfil era, à época, de promotor.
Quanto à relatividade das coisas. Há um ano mais ou menos, falava com ele por telefone e, em dado momento, lhe disse: "_ Gostaria de ter uma carreira brilhante como a sua!" ao que me respondeu: _"Mas eu não tive uma carreira brilhante." Não havia falsa modéstia, nem tampouco decepção em sua voz. Na sua mente era simplesmente um fato. Já para mim, diante do que vejo em minha vida neste momento e o que via naquele momento, seguir o gigante em seus passos seria sim ter uma carreira brilhante. Não num órgão público, seja lá qual for. Mas na vida como um todo. Talvez eu tivesse que me exprimir melhor! Sob este ponto de vista, ele seria obrigado a concordar.
Agora, deste grande homem resta-nos a tristeza de que não esteja mais entre nós e a saudade da pessoa maravilhosa que ele foi.

Lutas e lutas

Há alguns momentos na nossa vida em que subitamente temos uma sensação boa. Justamente pela raridade é que se toma consciência dela.
Alguma coisa acontece na química do corpo, nos neurônios, não se sabe bem o que é, que parece que você vai conseguir, você vai chegar, não vai perder desta vez...
E de repente, não mais do que de repente... tudo vira de pernas para o ar, e não num sentido em que isso seja propriamente bom... Não. No caso em questão, estou falando de algo que não é propriamente bom.
Então, o que fica é que quando eu tenho de novo aquela sensação de que alguma coisa boa vai acontecer, já começo a ficar preocupado, porque normalmente as coisas realmente boas aconteceram sem que eu tivesse a menor noção de que elas iam vir e quando eu sinto que uma coisa boa vai acontecer, via de regra ocorre um desastre. Catástrofe. Não significa derrota. Só que vai ser mais difícil. Sofrido.
E era isso que eu vinha pensando: eu achava que tudo estava ficando bem, e que se encaminhava perfeitamente para uma boa e justa resolução. Mas não! Petardo de tudo quanto é lado! Mas, acalme-se! Eu bem sei que tudo pode ficar pior, mas não precisamos chegar a tanto, não é mesmo? Não, não mesmo! para que ficar pior? Já temos tanta ocupação! Distração garantida por meses. Talvez anos. Só espero que eu não sinta de novo aquela sensação de coisa boa... Já pensou se eu tiver de carregar o remorso do Vampiro Serra ou o Medíocre Alckmin ganharem as eleições? Não posso permitir que num momento tão grave da nossa história eu possa correr o risco de ter a sensação de que algo bom vai acontecer e de repente... Tragédia nacional ou estadual ou... pior ainda... ambas!!!!
Imaginem um ser como este a nos governar, e me digam: é melhor lutar agora ou depois?


Em tempo: o link do youtube

domingo, 27 de junho de 2010

TJ: o que foi feito do dinheiro para o nosso reajuste? Eu acho que já sei...

Não poderia deixar de postar uma informação desta. O Executivo e o Legislativo talvez tenham muito a aprender com o Judiciário... As cifras, qualquer dos três poderes alcançariam facilmente, mas a malandragem, a ginga, o molho, ah! o molho, só o Judiciário tem. Esse ar blasè de pouco caso, esse se fazer de morto, não-é-nem-comigo, essa arte só este poder ordinário, salafrário e mal-caráter é que tem...
Não acreditam? Vejam o link:
http://www1.folha.uol.com.br/poder/756201-cnj-intima-tj-sp-a-provar-que-forneceu-dados-de-auxilio-voto.shtml
 Mas também não me agüento, transcrevo com os créditos e tudo:

24/06/2010-09h39



CNJ intima TJ-SP a provar que forneceu dados de "auxílio-voto"
FERNANDO GALLO
DE SÃO PAULO

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) intimou o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) a provar que cumpriu decisão do conselho que determinou à corte e aos magistrados que receberam "auxílio-voto" a fornecer dados financeiros sobre o subsídio.
O "auxílio-voto" é um subsídio concedido por produtividade a juízes de 1ª instância para que julguem casos de 2ª instância como forma de desafogar o Judiciário.
No dia 20 de abril, o CNJ ordenou ao TJ-SP que informasse, dentro de 30 dias, os valores pagos e os extratos bancários de juízes que receberam o aporte.
Também determinou a devolução pelos juízes da quantia recebida acima do teto constitucional e o recolhimento dos tributos devidos.
O CNJ deu aos magistrados outros 30 dias para que apresentassem suas defesas. Até agora, nem o TJ, nem os magistrados se pronunciaram.
Segundo o relatório do conselheiro Marcelo Neves, juízes paulistas recebiam o subsídio fora do contracheque, em depósito em conta corrente. Em alguns casos, a quantia era "superior ao dobro do que recebe um ministro do STF [R$ 26.723]". Um deles recebeu R$ 88 mil.
No voto, Neves afirma que o resultado do pagamento do "auxílio-voto" foi "nefasto aos cofres públicos". Ele determinou que a Receita Federal fosse notificada para que cobrasse tributos que não tivessem sido pagos.
Para o conselheiro, o não cumprimento da entrega da documentação pedida leva "à evidência de descaso" com o CNJ e revela que "os responsáveis por tais condutas atuavam sob manifesta intenção de encobri-los".
Pelo menos desde janeiro de 2009 a corte tem se recusado a prestar informações ao CNJ.
O TJ-SP afirmou que não foi notificado da decisão de 20 de abril, e que, portanto, não poderia se manifestar.
A assessoria de Neves disse que a intimação é feita eletronicamente. Pela decisão de anteontem, o TJ-SP tem cinco dias úteis para cumprir as intimações.

sábado, 26 de junho de 2010

Assinatura do pedido de CPI

Bora assiná esse trem! é muito dinhero rolando nessa mulesta e ninguém tá di zóio nisso. É a peste da buboinca! O seu viana e seus cumparsa tá percisando mermo é di vigilança. Enquanto o cabresto corri froxo eles tão fazendo é a farra du boi. Bora, assina logo... si fossi rivista di muié pelada tu já tava é assinando... vai cabra safado, dexa de quenguisse....

http://www.abaixoassinado.org/assinaturas/abaixoassinado/6418/1

domingo, 20 de junho de 2010

Vídeo informativo - veja e aprenda

http://www.youtube.com/watch?v=kMGVBopRzUI


Valorosos amigos desenvolveram este vídeo em que se explica à população o motivo de nossa greve.
O resultado é muito bom. No entanto, as pessoas devem ter "ouvidos de ouvir" e não deixar que a preguiça mental interrompa o fluxo de raciocínio gerado a partir da informação. Cada um é responsável em entender o quanto pode ser e é efetivamente prejudicado por este tipo de postura de um órgão da administração pública, fadado ao princípio da legalidade. Este princípio norteador do direito ensina que todo o órgão da administração pública é obrigado a se portar de acordo com a lei. Não é como o cidadão que pode escolher se segue ou não a lei e sofre as conseqüências de sua escolha. NÃO!!! o Estado, em todas as suas manifestações está obrigado à lei. Não tem escolha possível.
Portanto, se em uma circunstância o Estado não cumpre o previsto em lei, ele bota em risco todo o conceito de legalidade em todos os assuntos. Onde eu quero chegar com esta conversa? Que você, cidadão, que não dá a mínima para o que está acontecendo conosco, funcionários públicos estaduais, federais e do raio que o parta, deve colocar suas barbas, se as tiver, de molho pois a próxima vítima da ilegalidade do Estado será você. E então poderá ser tarde para reclamar...
Vejam sobre este tema o que diz Martin Niemöller

"Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar." Diria mais, como não sou funcionário público, não me incomodei...

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O confitente

O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, instituição vanguardista, plenamente identificada com o que há de mais moderno e eficiente, com seus julgados magníficos, surpreendentes e inovadores, inova mais uma vez. Inaugura uma nova era cheia de segurança jurídica ao fazer com que todos aqueles que tenham um exemplar da Constituição Federal de 1988 possam jogá-lo fora, ao lixo, que segundo o Tribunal, é onde deveria estar a Constituição há muito tempo.

É isto mesmo. Não é maravilhoso um Tribunal como este? Capaz de se autogovernar, e aos seus funcionários e porque não? Aos seus jurisdicionados também.

Cidadãos, joguem fora, rasguem e pisoteiem a Constituição, porque para nada ou para bem pouco ela serve. Inclusive, tomando emprestada a “Teoria da árvore com frutos envenenados”, deveria também ser pilhada fora toda a legislação infra constitucional oriunda da Carta Magna. Não é excitante isso? O Estado da barbárie se instalando pouco a pouco e ninguém parece perceber o que está acontecendo?

A divisão leonina dos recursos (1 parte para você, 3 partes para mim... é só um exemplinho para aqueles que têm mais dificuldade...) é prática das mais modernas e difundidas em todo o globo terrestre, não é mesmo? É porque o que é bom todo mundo quer, por isso prevalece. “Ah! O senhor que levantou a mão, o que é que diz? Como? não é bem assim? Estão dizendo que estou enganado? Não é bom para todos? E daí? Esqueceram-se de que quem cala consente? Ou, melhor ainda, confessa?” Senhor confitente, não abra a sua boca para reclamar nunca mais. Só jogue seu exemplar da Constituição fora. Mas o faça com cuidado para não parecer que é por acinte. Eles podem se irritar com o senhor. Para um covarde isto já é o bastante.

O senhor confitente e outros tantos da sua laia já fizeram a parte deles para acabar com o conquistado por várias pessoas que morreram ou que viveram situações extremamente penosas para que nossos direitos fossem implementados. Pode abrir um sorriso e sentir aquela sensação de missão cumprida. No ritmo que a coisa vai, é missão cumprida mesmo...

Para maiores elucidações sobre este tema, leia também o best-seller, sucesso absoluto de vendas, o famoso: “Como sabotar a si mesmo e ainda fubecar o seu colega” do ilustríssimo senhor Dezzem bar Gador. Na verdade este autor se especializou na sabotagem alheia, mas orienta que os princípios são basicamente os mesmos sendo facilmente aplicáveis à auto-sabotagem. A segunda parte do título dispensa comentários. Todo mundo sabe mais ou menos como fazer isso. Talvez você não encontre mais este título disponível, pois as edições estão esgotadas e quem já comprou e leu não larga mais.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Agora o poema inteiro...

NO CAMINHO COM MAIAKÓVSKI
Eduardo Alves da Costa


Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na Segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.
Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne a aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.
Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.
E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!

Se você não faz nada por seus direitos...

http://www.revista.agulha.nom.br/autoria1.html

Os textos abaixo inseridos, foram extraídos do site que pode ser acessado por meio do link acima.
Para ler e refletir.

Eis o fragmento de Eduardo Alves da Costa:


No caminho com Maiakóvski

"[...]

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor

do nosso jardim.
E não dizemos nada.



Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.

Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,


conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

[...]"


Martin Niemöller
"Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar."
 
 
 
Bertold Brecht
 
"Nós vos pedimos com insistência:

Nunca digam - Isso é natural
Diante dos acontecimentos de cada dia,
Numa época em que corre o sangue


Em que o arbitrário tem força de lei,
Em que a humanidade se desumaniza
Não digam nunca: Isso é natural
A fim de que nada passe por imutável."

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Luta: vitória ou derrota?

Todos são unânimes.
Se não houver união as coisas não irão se desenrolar. A causa não avançará e as reivindicações não serão sequer ouvidas, quanto mais atendidas. É fato. Sobre isto parece-me que não há dúvidas.
Dúvida resta, sim, diante de tanta certeza, do porquê então não se toma a atitude mais correta, mais digna e eficaz: parar tudo o que está fazendo em prol de uma instituição moralmente falida e começar a fazer um trabalho coerente a favor de companheiros moralmente valorosos e de si mesmo. Reaja à injusta ofensa!
Debates acalorados sobre o time de futebol, sobre políticos (não me refiro à nobre arte da política) e sobre aspectos religiosos não trazem crescimento, nem tampouco enchem os bolsos de dinheiro. No entanto, destas coisas é o que mais se vê e se ouve falar. Não quero colocar em questão aqui o calor das discussões envolvendo o derrière alheio, a não ser pelo aspecto de que o Tribunal deseja insanamente introduzir uma dura medida nos anais do funcionalismo. Mas, por ora, abandonemos esta vertente.
Venha, sim, debater o que de prático pode ser feito para melhorar a sua, a nossa e a situação de todos. Mas, o mais importante é que: _ Venha!
Não é hora de timidez. Não, não se ruborize diante dos companheiros. Todos erramos, dizemos palavras tortas, adotamos frases capengas, mas dizemos tudo o que queremos e somos entendidos no que é preciso.
Que o seu rubor seja de indignação, pois você vive soterrado, seu pobre braço amarrotado emergindo fracamente da pilha de processos onde você está encarcerado. E o seu carcereiro é aquele mesmo que habita em luxuosos gabinetes, onde há profusão de tapetes vermelhos e nenhum rubor...
Só queremos que você também seja um vitorioso... E o que isto significa?
A vitória e a derrota são perspectivas. Ambas envolvem acontecimentos do mundo fático, mas a sensação de vitória e de derrota vai do comprometimento de cada um com a luta em si mesma. 
A luta é o caminho que se segue para alcançar o objetivo e este caminho, embora seja um meio, deve ser apreciado por seu próprio valor. É como caminhar para chegar a algum lugar, mas apreciando o caminho. Aprendendo com ele. Então, é como lutar para conseguir algo, mas apreciando a luta. Aprendendo com ela.
Portanto, seja você também um vitorioso! Venha aprender com a luta.

domingo, 30 de maio de 2010

JORNAL DO MOVIMENTO PAREDISTA - ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Foi preso na tarde de ontem um grupo de ladrões, acusados de assaltarem a carteira do senhor Funcionário do TJ. O nome do chefe da quadrilha é Dezzem bar Gador, e a quadrilha é composta por mais de duas dezenas de subchefes, e mais de três centenas de ajudantes-de-ordem. Parecem fazer parte da mesma família, mantendo os mesmos vínculos há milhares de anos, já que suas origens se perdem na Roma Antiga. Alguns historiadores os relacionam ao babilônico Hamurabi, mas não passa de mera especulação. Pertencem sim à família Magistradus Iudicantes. É importante frisar que nem todos os membros desta família são larápios. Só a maioria.

Com os meliantes foram encontradas armas do tipo L.E.I., de brinquedo, com calibre nominal do tipo Resolution 5.20/10, aptas a atemorizar seres já amedrontados por natureza. As armas de brinquedo do tipo L.E.I. encontradas com o grupo criminoso foram apreendidas em autos de Mandados de Segurança próprios. Foi apreendido também o veículo com placa Tango Juliete, conduzido pelo roubador-mor.

Em depoimento pessoal (parece gozar de foro privilegiado), o chefe da quadrilha, Dezzem bar Gador, diz que tudo não passa de um engano. Ele, seus amigos e parentes são trabalhadores, tem a ficha limpa e o assalto foi realizado por outro grupo, a Máfia do Tucano com serra no Bico, grupo de extrema periculosidade, que anda à solta por aí como se fosse gente normal e honesta, a exemplo dos temíveis Joseph Serrotis e Gerard Alquímic. Não é improvável um concurso de agentes, como ensina a regra do artigo 29 do CP. O Delegado diz que vai investigar.

Devemos cobrar das Autoridades uma postura mais rígida com todos estes criminosos, uma vez que os danos materiais e morais do Sr. Funcionário do TJ são inestimáveis, pois o trauma psicológico decorrente do assalto e a exibição da arma de brinquedo de calibre Resolution 5.20 o paralisou fisicamente quase por completo. Apenas alguns músculos e nervos mais ativos respondem aos estímulos. O resto do corpo somatizou o choque, cumpre apenas funções vitais e a autodefesa está quase aniquilada. Com o desfibrilador vindo do interior, e com peças da capital, parece já haver sinais de recuperação rápida e o sr. Funcionário do TJ já está novamente abandonando sovelas e computadores, carrinhos e canetas e empunhando suas armas de luta, as faixas, apitos e sua arma mais potente e que mete um medo danado nos assaltantes: Greve, calibre 20.10, munição do tipo 20.16 já!!!!!!

Preste sua solidariedade ao Sr. Funcionário do TJ e empunhe também sua arma Greve, para proteger sua carteira e aquela espécie quase extinta que se chama DIREITO!

domingo, 23 de maio de 2010

Greve

As pessoas sempre reclamam.



Se reclamassem mas fizessem algo para alcançar uma melhoria a respeito do tema da reclamação, ótimo. Mas também não fazem. Nem mesmo quando outras pessoas começam algo, os reclamões não conseguem se mexer e simplesmente acompanhar. Não. Porque na verdade, o que eles querem é reclamar.



Outra coisa é a falta de senso de oportunidade e companheirismo. Oportunidade não no sentido mais conhecido e normalmente mais usado de oportunismo. Não. É aquela acuidade de perceber as proporções dos acontecimentos e posicionar-se para o o enfrentamento destes acontecimentos na oportunidade em que ocorrem ou no momento em que se percebe sua lesividade a um direito plenamente adquirido, regulamentado, mas que não teve seu implemento respeitado. E a falta de companheirismo se observa porque todas as contingências pessoais são mais importantes do que a dignidade do grupo, na postura dos reclamões.



Então não se trata apenas de uma briguinha por causa de um aumentozinho ou de uma reposiçãozinha; é uma briga por um direito que foi lesado, por um desrespeito ao que manda a lei. É por isto a briga. É como o aluno com a nota. Às vezes o que se pede não é um aumento da nota, mas sim o reconhecimento do acerto daquela resposta na prova. A nota é mera conseqüência dos acertos e dos erros no instrumento de avaliação. Agora, tem aluno que não exige a justiça do acerto, não cobra o direito, reclama do professor e continua na mesma mediocridade. Que não exija, mas que não reclame também! Tendo eleito a mediocridade como sistema de vida, deleite-se com ela. E seja palhaço do seu senhor, o Egrégio Tribunal, ave, ave, César, César!!!





Elton John e Kiki Dee!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Apartamento e carro

A maior parte das pessoas deseja um destes dois ou os dois de uma vez só. Ambos estão no seu significado lato sensu, pois o que se quer dizer é moradia e transporte próprios.


Na busca por estes bens, nos deparamos com algumas situações reveladoras...

Muitas pessoas desejam um apartamento, mas um apartamento com vaga na garagem, mesmo que você more a duzentos metros de uma estação do subway ridículo de São Paulo. O porquê do ridículo não influencia na surpresa gerada pela recusa em se convencer de que neste caso talvez nem fosse necessário ter um carro, quanto menos uma vaga na garagem! Sim, pois embora o ridículo tenha relação com a insuportabilidade de se tomar o metrô em alguns momentos do dia, a surpresa pelo engajamento do sujeito pelo carro tem o mesmo perfil: é insuportável andar de automóvel na maior parte do tempo em São Paulo! Só que com o carro você acaba sempre gastando mais, e acredito que com maior estresse!

Tudo redunda sempre no fato incontestável de que as pessoas, quer dentro de seus automóveis, fazendo deles uma mera extensão de seus corpos imensos, quer fora de seus automóveis, em qualquer meio de transporte urbano ou até mesmo na calçada, com seus imensamente grandes corpos e egos, tudo, tudo, tudo, redunda sempre no fato de que as pessoas ocupam espaço demais no mundo!!!! Não há postura adequada, não há comportamento adequado, não há a menor noção de espaço/tempo. São alienados, alienados, alienados, com seus aparelhinhos de celular, com seus aparelhinhos de mp3, com seus livros e revistas, lendo! lendo! lendo! andando no meio da multidão e lendo! São os brinquedos alienantes de uma sociedade alienada!

Por isto as pessoas ficam horas no trânsito, porque elas não conseguiram entender que a quantidade de veículos automotores nas ruas é tão grande, que quase se torna inviável rodar! Elas não entenderam que a quantidade de pessoas na rua é tão grande que não dá para ficar andando como se não houvesse mais ninguém no mundo! Elas não entenderam que uns dependem da marcha dos outros e se querem andar devargazinho, tem que redobrar a atenção para não atrapalhar os demais. E importante avisar: devem fazer um pequeno movimento de virar um pouco o corpo, cada um para um lado, opostamente entre si para que ambos passem ao mesmo tempo por um lugar estreito, senão vai haver colisão! Ah! eu esqueci que este tipo de coisa não interessa, afinal, ema, ema, ema cada um com seus problemas! Só que o problema pode ser seu no dia em que você for de cara para o chão porque alguém perdeu a paciência de ter uma anta bloqueando o caminho sem a menor consideração por quem vem à retaguarda!

Olhe para frente, olhe para os lados, olhe para onde for possível olhar! Olhe para as pessoas, leia seus movimentos, perceba para onde vão e o que pretendem fazer. Ainda assim seremos pegos de surpresa, às vezes, mas já haverá uma grande melhora no conjunto das coisas!

sábado, 10 de abril de 2010

sábado, 20 de fevereiro de 2010

I want tell you how much I love you

Tantas coisas já aconteceram nos últimos tempos...
A faculdade, que parecia inviável, já está chegando à metade. Estou um pouco decepcionado com o meu próprio aprendizado, pois vejo que há tanto para ler e aprender por si só, e estou inerte, esperando só o que vem dos professores. Mas estamos caminhando, quiçá nos recuperemos na vontade de crescer, de saber e fazer.
No trabalho poucas mudanças.



A vida em família apresenta aquelas questões básicas e inerentes a todo relacionamento humano: até onde exigir e até onde ceder. Melhor que caminhar sozinho? Não sei. Mas o que é o mundo todo senão um "Eu" mais ampliado e sincero, com toda a dureza da sinceridade? Estamos sempre e estamos nunca sozinhos.
O viver do milionário parece ser muito duro, muito difícil e cheio de problemas. Gostaria que a vida não me poupasse tanto...
Muito difícil pensar em alguém sem sentir saudade, faz falta mesmo. Fisicamente, é como quando você esfola a pele e sai pedaço. Não dá para esquecer de algo assim. O nome do alguém é Nanci.
Budismo ajuda, mas para revelar este buda está dando um trabalho...