sexta-feira, 21 de junho de 2013

Poder sem política. Política sem partido. De onde saiu isso?

Política. Palavra difícil. Polissêmica. E em relação a ela, tabus fazem com que a ignorância grasse. Haja tabu, haja ignorância e... haja política!
Variadas conquistas foram concretizadas com a ação do poder, político. Sim, porque há outros poderes, como o econômico por exemplo. O religioso também. Mas a teia formada por quais sejam os poderes sempre perpassa o político, pois a política pode-se dizer é o manejar o poder...
Em todos os setores há uma pretensão, seja qual for. Há algo que se deseja. Pessoas querem que algo aconteça, e se articulam. Seja nas empresas, seja nos templos, seja nas escolas, seja na sociedade como um todo. Este articular, este manejar, argumentar, conquistar e fazer, isto é política. Mesmo que se diga que é uma inocente votação para definir a cor da camisa do time de futebol que está sendo fundado no bairro. O grupo que quer o verde vai fazer o possível para que a camisa tenha esta cor e os demais de acordo com suas vontades e manifestações.
Quando você e um grupo de pessoas vai às ruas e exige que haja recuo no aumento do preço da passagem... É política que se está fazendo. Está se manejando o poder. Então, qual o problema?
Nenhum, em tese. Mas o grau de organização deixa a desejar. Marcar horário e se encontrar num local é o mínimo de organização que se espera numa manifestação. Então o fato de ter marcado e o encontro ter acontecido não deve ser contabilizado como organização. É muito primário. 
Já as discussões realizadas sem a disciplina que se aprende nos partidos torna-se improfícua, arrogante, e quase sempre acaba em insatisfações e cisões. Havendo a cisão perde-se poder. Havendo a cisão, fica fácil ser manobrado por quem saiba fazê-lo. E há muitos que sabem! Deste assunto a classe dominante está plena de sabedoria, pois senão não seria classe dominante. Identificam uma rusga, uma querela, uma quizília à distâncias enormes. E correm para prestar socorro e oferecer o doce para a criança, nem que seja para arrancá-lo logo depois.
É este o problema da massa desorganizada ou mal organizada. É este o problema da massa arrogante que se enche de empáfia de ter conseguido arrastar milhares para as ruas e que aponta o dedo e diz: "Este pode. Aquele não pode."; "Abaixe a bandeira."; "Rasgue."; "Sem partidos.".
Existem partidos que estão organizados e em luta tem décadas. Luta constante. Tenaz. Pergunto: quantas vezes será que você conseguirá arrastar seus milhares às ruas? Por quantas causas? Será que conseguirá fazer com que os interesses de cada setor da sociedade sempre coincidam com os seus próprios interesses? Ou será que é ingênuo e acredita que sua opinião realmente representa o biscoito mais recheado do pacote? Aliás, representará sua opinião sempre o que há de melhor para sociedade como um todo? Baseado em quê você acha isso? E pode-se dizer isso também dos milhares que você arrastou para as ruas? São coesos e homogêneos em suas reivindicações?
Um partido sério e comprometido faz estudos de cada assunto que permeia a sociedade e articula ações e implementa uma pauta para que seja cumprida. Um partido sério e comprometido possui militantes e dirigentes que se reúnem e discutem assuntos de interesse da sociedade e desse acúmulo de discussão definem os temas e encaminhamentos e votam entre si pela aprovação das propostas e ao final, as teses vencedoras submetem as demais e todos falam a mesma língua, a língua da tese vencedora, mesmo que aquela não tenha sido sua tese original. E todos planejam estratégias para que se alcance os resultados esperados em prol da sociedade e dos setores mais oprimidos, de acordo com o que foi votado e aprovado. Este sistema existe há décadas. Tudo isso acontecendo enquanto você está em casa assistindo novelas, ou na faculdade cuidando do seu futuro profissional, ou assistindo o seu futebolzinho ou indo para o baile ou para a balada. Justo. Muito justo. Mas não venha com essa de gigante adormecido que acabou de acordar. O que aconteceu é que a massa de manobra deu mais um passo de gigante. Os gigantes mesmo estão acordados faz tempo. Com que roupitcha você vai à manifestação hoje? Com aquele modelito sugerido pela Glória Khalil?
Meus respeitos aos manifestantes da primeira hora que levaram suas já tradicionais e esperadas borrachadas. Aos demais, um pedido: não estraguem tudo! Pátria amada, Pavilhão Nacional, Hino Nacional, Símbolos Nacionais. Todo respeito a eles. Mas tudo isso é muito bom e é muito ruim também. É bom porque com o egoísmo normalmente manifestado é ótimo saber que se está pensando em algo além dos seus próprios umbigos. E é ruim porque já é hora de superar este nacionalismo infantil e demagógico (do tipo ame-o ou deixe-o) e entender que o mundo não tem divisões, a não ser aquelas convencionadas pelas sociedades por conta de interesses escusos de uma classe social podre de rica e maníaca por poder. Que sabe e gosta de exercê-lo. Isto em todos os países. Portanto a luta contra este flagelo do mundo e da natureza é universal, abarcando no mundo todos aqueles que não sejam ricos e que ainda não tenham  o poder. Ou seja, a maioria. Ou seja, nós todos, com partidos e sem partidos. Mas acreditem. Com partido a luta é melhor. Bem melhor.