Estava lendo sobre aquela operação do Exército em que dois jovens e um adolescente (Wellington Gonzaga Ferreira, 19 anos, David Wilson da Silva, 24 anos, e M. P. C., 17 anos) foram "entregues" a uma facção do tráfico e foram mortos. É uma coisa tão absurda que é até difícil acreditar que seja verdade. Mas isto remeteu-me à reflexão de que realmente a sociedade, a nossa sociedade, da qual não estou me excluindo, é muito culpada mesmo por tudo isso. O tenente do Exército, que aparentemente adotou estas drásticas atitudes, se o fêz realmente, está criminosamente orientado. Foi o estopim por onde passou a chama que faria a coisa explodir num dado momento. Mas a bomba somos todos, enquanto sociedade, permissiva, calada, passiva, inerte, silenciosa, acomodada... poderia não parar mais. Tudo isso mais um pouco. Só que ainda tem pior. Olha que contraste: hoje em dia, alguns consumidores escolhem o produto que vão comprar orientados em alguns parâmetros sociais (se a empresa que o produz, ou beneficia, ou participa de alguma maneira de sua produção, não utiliza-se de trabalho infantil, não utiliza-se de trabalho escravo, se preserva o meio ambiente contendo suas emissões de gases na atmosfera, ou não degradando as águas, ou ainda não contaminando o solo, etc.). No entanto, outros "consumidores", não têm esta preocupação: compram drogas (!!!) do traficante, que todos sabem "não se utiliza de trabalho infantil, nem escravo, não desmata para plantar, não emite gases, não contamina o solo nem as águas, têm um relevância social muito grande pois representa o Estado onde o Estado não se faz presente. Todos sabemos o quanto esta narco-empresa se preocupa com o bem-estar e a saúde da população."
O mais curioso talvez seja aquele consumidor que se enquadra em ambos os grupos. Eu acho que ele existe. É o mesmo que compra uma peça de automóvel de origem duvidosa só porque é mais barata. Ele se esquece que o próximo na mira da pistola semi-automática do bandido pode ser ele mesmo. Estas incoerências é que botam a perder tudo de bom que pode ser construído nesta sociedade. Pode ser construído com a participação de todos, cada qual à sua maneira, mas com respeito ao todo do qual fazemos parte.
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